O QUE É A TEORIA DO EXISTENCIALISMO

Em meados de 1940, o termo “teoria do existencialismo” foi criado por Gabriel Marcel, uma vez que Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir e Albert Camus tornaram a corrente filosófica de Søren Kierkegaard acessível. A corrente, como o nome já diz, se foca na condição da existência humana.

Jean-Paul Sartre se tornou um nome importantíssimo ao se falar sobre a teoria do existencialismo. Seu pensamento sartreano foi pautado em três grandes formas de pensamento: o materialismo dialético (Karl Marx), o existencialismo de Heidegger e a fenomenologia de Husserl.

O pensamento era focado na existência do indivíduo em si, acreditando que o pensamento filosófico deveria partir da intenção humana e não de sua realidade. Procurava analisar a consciência do mundo, que dava vida a coisas através da imaginação e que era dividida em consciência de primeiro e segundo grau.

A primeira consciência é perceptiva e irreflexiva, pois ignora a si mesma para perceber um objeto ou uma ação. Já a segunda é a consciência específica do ser humano e é chamada de reflexiva. No existencialismo, a palavra-chave é a liberdade, afirmando que uma decisão deve ser levada até o fim quando feita.

Jean-Paul Sartre

A teoria sartreana

Apesar de outras correntes existencialistas existirem, a teoria do existencialismo mais popular e aplicada até os dias de hoje é a teoria sartreana. Para os existencialistas, a existência humana é baseada na angústia, nas decisões e no desespero experimentados ao longo da vida e no crescimento.

A teoria sartreana da consciência é extremamente focada na liberdade. Há uma intensa rejeição da ideia de aprisionar o ser humano à natureza ou a um Deus, afirmando que o homem é capaz de escolher seus caminhos e que algumas coisas simplesmente não possuem explicação.

Inclusive, para Sartre, o que diferencia os humanos de outras espécies é necessariamente sua capacidade de escolha advinda da liberdade e o fato do homem ser capaz de construir a si mesmo por conta de sua consciência. Afirmava que a liberdade precisa ser construída com responsabilidade humana.

O existencialismo coloca o homem como completamente responsável por si mesmo, nem rígido, nem maleável e nem passivo sobre sua existência, abordando uma perspectiva humana de frustração por não ser Deus, e atribuindo a liberdade a esse fracasso existencial. Em suma:

– Sartre dividiu seu pensamento em duas fases: a primeira propõe uma liberdade pessoal, que não diz respeito ao mundo, voluntária e incondicionada. Já a segunda fase coloca essa liberdade como não mais uma fuga, mas a ser trabalhada.

– A teoria do existencialismo de Sartre aponta o desejo e a sexualidade como não instintiva, mas também resultante da liberdade. Para ele, o indivíduo escolhe ser um “ser-para-o-outro”, e a saciedade do ser fica mais em foco do que o suposto objeto de desejo.

– As ações, para Sartre, sejam elas boas ou ruins, não podem ser justificadas, uma vez que são fruto de nossa escolha. A criação, o meio, as divindades, nada será capaz de ultrapassar a vontade humana e sua capacidade de escolher por si só seus caminhos.

– Acreditava-se que o fato de o ser humano ser obrigado a fazer escolhas incentivava sua racionalidade e o fato de pensar e questionar e que, por isso, existiam indivíduos fascinados pela passividade. Tal fato acontecia por eles não saberem escolher.

O Existencialismo Cristão e aplicação da teoria do existencialismo na atualidade

O existencialismo cristão segue algumas das diretrizes do existencialismo ateu de Jean Paul Sartre, com a diferença clara de acreditar que o homem advém da existência de Deus e o livre arbítrio é uma punição do criador, enquanto o existencialismo sartreano nega de todas as formas a natureza humana.

Atualmente, pode-se pensar que as regras da sociedade são formas de quebrar com o conceito de liberdade do existencialismo, que tenta representar as constantes lutas entre o indivíduo e o universo, o que cria o estresse e gera poucas ou nenhuma consequência positiva.

A teoria do existencialismo auxilia a física moderna, a física quântica, as artes cinematográficas, a literatura e, obviamente, a filosofia atual, ainda que a física quântica creia na existência, em termos energéticos, de uma força superior, o que vai contra a corrente sartreana.

 

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